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17/06/2001: No Morumbi, o início da odisseia de Tite à Rússia

Com comando do Tite, calando Morumbi, o Grêmio conquistou o Tetracampeonato da Copa do Brasil. Foto: cbf.com.br

Neste domingo (17), a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo da Rússia. Quando a bola rolar na Arena Rostov, a sonho pela concretização do hexacampeonato pode começar.

Principal esperança brasileira para a conquista é Tite . O treinador é um personagem especial. Em meio às eliminatórias para Copa, pegou um time desacreditado e transformou em uma equipe digna das cinco estrelas do peito. A paixão e a crença pela amarelinha voltou nas mãos de Adenor Leonardo Bachi.

Como coincidência do destino, a competição reservou uma data especial para o início canarinho. No dia de sua estreia, 17 de junho de 2018, o comandante comemora 17 anos de seu primeiro título nacional. E foi no Grêmio.

Depois de conquistar o Campeonato Gaúcho de 2000 com o Caxias, Tite chegou no Olímpico em dezembro do mesmo ano com a esperança de reinventar o futebol gremista. O ano seguinte, 2001, começou promissor para a equipe. E a reconstrução começou no padrão tático do tricolor. Fugindo dos estilos burocráticos do futebol nacional, o treinador aderiu a formação com três zagueiros.

Visando o confronto do meio de semana contra o Fluminense, pela Copa do Brasil, a estreia do esquema foi na segunda fase do Gauchão. Contra Caxias, em 5 de maio, o Grêmio mostrou a capacidade de produtiva da compactação. 4 a 0. Gols de Tinga, Mauro Galvão, Zinho e Marinho. No meio da semana, contra o Fluminense, no Maracanã, um empate sem gols. Os três zagueiros eram uma realidade e o time jogava de um forma que fugia a tradição do clube. A prática mais física, defensiva e de bola área deu espaço ao estilo veloz, com triangulação e ofensividade.

Naquela ano, o Grêmio conquistou o Campeonato Gaúcho. Na final contra o Juventude, o time se sagrou campeão do Estado em duas partidas. No primeiro embate, vitória por 3 a 2 no Alfredo Jaconi. No jogo da volta, 3 a 1 no Estádio Olímpico. Mas a cereja do bolo ainda estava por vir.

Na Copa do Brasil, a equipe fazia uma campanha sólida. Vila Nova, Santa Cruz, Fluminense, São Paulo e Coritiba ficaram no caminho. Para chegar ao tetracampeonato da competição, o Grêmio precisava vencer o Corinthians, atual campeão paulista.

No dia 10 de junho, o primeiro confronto da decisão. O Estádio Olímpico recebia 50 mil pessoas. Trazendo contornos dramáticos, os paulistanos abriram 2 a 0, com Marcelinho e Müller.

A sobrevivência gremista veio com um ex-corintiano. Luís Mário, dispensado pelo clube paulista por insuficiência técnica, atingiu sua redenção pessoal. Aos 18 da segunda etapa, Cláudio Pitbull chuta para dentro da área. Marinho disputa espaço com o zagueiro adversário e tenta a conclusão. A bola sobra para Luís Mario do lado direito da área. Ele finaliza. Gol. O respiro tricolor, que ainda contava com 27 minutos para buscar um resultado favorável. Não demorou 6 minutos. O autor do primeiro gol começa jogada pelo lado esquerdo, dribla o oponente e conduz a bola para meio com velocidade. De longe, ele arrisca um chute. A finalização que parecia despretensiosa encontra as redes do Olímpico. 2 a 2. Da morte, o Grêmio encontrou a esperança nos pés de Luís Mario.

A semana que antecedeu a decisão no Morumbi foi cercada por polêmicas. Cléber Xavier, auxiliar técnico tricolor foi pego no Parque São Jorge espiando o treinamento adversário. Mais um ingrediente para a final. Para ser campeão fora de casa, o Grêmio precisaria ser perfeito. E foi.

Aos 42 da primeira etapa, em um Morumbi lotado – 20 anos depois do título Brasileiro de 1981 -, o primeiro passo. Em escanteio, Zinho cruza no primeiro pau para Marinho. O zagueiro cabeceia um foguete. 1 a 0. O ritmo gaúcho era frenético. No primeiro minuto da segunda etapa, Marcelinho rouba a bola pelo lado esquerdo e passa para Zinho dentro da área. Com uma finalização de craque, o aniversariante da tarde assoprou as velas colocando a bola no ângulo. 2 a 0.  Para ter um sabor de emoção, Corinthians descontou aos 30 minutos da segunda etapa. 2 a 1. Porém, a campanha merecia um final com chave de ouro. E assim veio. Em uma triangulação características do Grêmio de Tite, Fábio Baiano começou a jogada pelo lado direito e tabelou com Zinho, que devolveu a pelota para o meia. Do lado direito da área, ele deu um passe cirúrgico a Marcelinho Paraíba na pequena área. O atacante só concluiu. 3 a 1. Na comemoração do gol, o comandante saiu para comemorar junto com a equipe. Acabou expulso. Mas não tinha mais problema. Grêmio tetracampeão da Copa do Brasil.

Naquela tarde de 17 de junho de 2001, Tite mostrava, pela primeira vez, seu valor no cenário nacional. Antes da estreia brasileira, podemos afirmar que a odisseia à Rússia teve início naquela tarde no Morumbi. Quando a bola rolar, o treinador levará consigo a recordação de batalhas épicas com a camisa tricolor. Pois ali, como o destino fez questão de lembrar, começou a caminhada do hexa brasileiro.

 

Fontes/Dados históricos: Daison Sant’Anna

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