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🗞️ Leonardo Radaelli

21/06/1983: No Olímpico, Grêmio vence o Estudiantes e começa abrir as portas da América

Fonte: Jornal Zero Hora - Pesquisa realizada no Museu Hipólito José da Costa com orientação de Carlos Roberto da Costa Leite.

Dos momentos de sangue e glória na vida gremista, o Estudiantes ocupa uma estante especial. Os clubes traçaram duelos que saem do aspecto esportivo e entram nos livros de história. Nessa narrativa, o primeiro duelo pela Copa Libertadores foi no dia 21 de junho de 1983, há exatamente 35 anos atrás. Naquele ano, o adversário era um time a ser batido. Com um país derrotado na Guerra das Malvinas, a população tinha sede por vitórias e depositava no futebol a esperança do alívio.

Ostentando o status de campeão nacional, o Estudiantes ditava o futebol do país. O clube contava com seis jogadores que serviam à Seleção Portenha. Sabella, voltando de uma passagem no Shefield, Trobiane, ex-Zaragoza, e Brown, que três anos depois marcaria um do gols argentinos na final da Copa do Mundo do México, eram as lideranças técnicas de um time que chamou a atenção do mundo. Com as boas performances no ano anterior, o treinador Carlos Billardo foi contratado para assumir a Seleção Argentina, deixando o legado para Eduardo Manera.

O primeiro encontro foi no Olímpico. Em Porto Alegre, brasileiros e argentinos abriram a fase triangular semifinal da Copa Libertadores. Obcecados, buscavam uma vaga na final da principal competição do continente.

Durante estreia de Mazzaropi no arco tricolor pelo torneio, a equipe gremista saiu na frente aos 4 minutos. A jogada teve início com China na meia cancha. Ele recua a pelota para De Leon. O comandante uruguaio, sempre lúcido e iluminado, constrói a jogada. O capitão sai do campo gremista e invade o território adversário, dando um passe a Caio. O meia usa agilidade e, de costas, toca de primeira para Osvaldo. De longe, o camisa 8 acerta um foguete, um míssil, a bola, que parecia ir em direção à rua Carlos Barbosa, começa a descer, descer, descer. Tarde demais para o goleiro Bertero, que foi encoberto. Golaço. Não adiantava, naquela noite a bola queria encontrar as redes. E encontrou. 1 a 0.

Apesar do ambiente favorável, Estudiantes chegou ao empate no décimo primeiro minuto. Em uma bola parada, Gugnali cruzou para Gurrieri. O argentino quase deitou no gramado para cabecear. 1 a 1. Grêmio empatava quando o juiz encerrou a primeira etapa.

Na Azenha, Renato enfrentava o peso de ser o rockstar gremista. Em meio às polêmicas da semana, onde o jogador se destacava pelas questões fora do gramado, o camisa 7 fez um primeiro tempo tímido naquela noite de 21 de junho. Contudo, Portaluppi sempre caminhou de mãos dados com o destino. Espinosa, estrategista de guerra, abriu mão do garoto de Guaporé no início do segundo tempo, colocando Tarciso. E a estrela brilhou. Em um jogada pela esquerda, Caio driblou três argentinos, entre eles Brown, e colocou a bola para dentro da área. Tarcísio, com o pé direito, chapa a pelota para gol, estufando as redes. Sabendo da importância do gol, o atacante, na comemoração, entra na goleira e beija a bola. Era o beijo de 24.544 torcedores que sofriam no frio dos concretos do Olímpico Monumental. Apitou. 2 a 1. Grêmio dava o primeiro passo para colocar Porto Alegre no mapa do Mundo.

Saindo do gramado, o responsável da vitória foi questionado por repórteres se o gol era da torcida, que clamou por sua entrada do segundo tempo. Em um segundo de lucidez singular, Tarciso revelou seu sentimento, deixando a vaidade de lado e conseguindo contextualizar o momento histórico do momento: “o gol é do Grêmio”.

Fonte: Jornal Zero Hora – Pesquisa realizada no Museu Hipólito José da Costa com orientação de Carlos Roberto da Costa Leite.

E ali estava o cartão de visitas da equipe gremista. Além do êxito em campo, a data é celebra outro marco. Antes da partida contra o Estudiantes, no dia 21 de junho, o Departamento de Divulgação do Grêmio criou  e divulgou um cântico que serviria para a torcida empurrar a equipe na competição sul-americana:

“Vamos com raça, vamos com força, nós vamos ser campeões da América. O título de sócio já tá na mão, o nosso time tem garra, irmão, e a Libertadores é nossa. Grêmio! Grêmio! Nós vamos ser campeões da América”.

Como um mantra de vitória, abrindo as portas do continente, a canção é um marco do alento à equipe tricolor. Comemorando aniversário, o hino ainda é cantando por boa parte da torcida gremista.

Contra os argentinos, há 35 anos atrás, o Grêmio mostrava suas credenciais à América. Mais tarde, ainda no ano, a equipe pintaria o mundo de azul, preto e branco. Mas isso é para outro capítulo.

FICHA TÉCNICA

GRÊMIO 2 X 1 ESTUDIANTES DE LA PLATA (ARG)

Competição: Copa Libertadores da América / Triangular Semifinal – Chave B – 1º Turno

Data: terça-feira, 21/junho/1983

Horário: 21h15min

Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre

Árbitro: Juan Silvagno (Chile)

Renda: Cr$ 17 106 500,00

Público: 24 544 pagantes

Grêmio: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso – 12 do 2º), Caio e Tonho; Técnico: Valdir Espinosa

Estudiantes: Bertero; Camino, Brown, Agüero e Gugnali; Russo, Ponce e Sabella; Trama, Trobbiani e Gurrieri; Técnico: Eduardo Manera

Gols: Osvaldo 4min30seg e Gurrieri 11 do 1º tempo; Tarciso 40 do 2º tempo

**Obs. 1: O Club Estudiantes de La Plata (ARG) conquistou o Campeonato Metropolitano 1982 (14.2.83) e o Campeonato Nacional 1983 (14.6.83).

**Obs. 2: Com esse resultado, o Grêmio completou 7 jogos de invencibilidade na Libertadores: Um empate e 6 vitórias consecutivas.

Fontes: Daison Sant’Anna, Rádio Guaíba e Zero Hora.

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