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🗞 Eduardo Jenisch

Cadê o fator local, presidente Bolzan?

Estou extremamente frustrado com o resultado diante do Palmeiras, mas menos do que fiquei após os empates sem gols contra adversários pequenos, que vieram para Porto Alegre com os onze jogadores, presidente, vice, torcida, todos atrás da linha do meio campo, sonhando em ganhar um ponto do Grêmio. Na noite fria desta quarta-feira, finalmente, tivemos futebol praticado pelos dois times, o que não deixa de ser um alento.

Grêmio e Palmeiras protagonizaram um grande jogo, com talento, qualidade técnica, troca de passes, aberto, as equipes se intercalando no domínio, chances criadas, digno de dois dos melhores times da América Latina, o que não é exagero dizer, haja vista que foram as duas melhores campanhas na primeira fase da Libertadores. A vitória poderia ter ido para qualquer um dos lados, foi para o Palmeiras, que mostrou mais eficiência em suas conclusões.

O Grêmio precisa manter esse modelo de jogo, que nos trouxe os títulos recentes e fez com que a derrota diante do Palmeiras fosse apenas a terceira dos titulares na temporada. Ou seja, temos qualidade e consistência, mudar de estilo após algumas pedras no caminho seria burrice. O nosso roteiro está sendo bem escrito. Os comandados por Renato Portaluppi ganharam a Copa do Brasil, a Libertadores e a Recopa, tudo em um espaço de dois anos. Natural que esse Tricolor virasse espelho e fosse minuciosamente estudado por todos os rivais do continente.

A justa badalação em cima da espetacular equipe que possuímos fez com que todos os demais passassem a fazer Copas do Mundo quando enfrentam o Grêmio. É o preço do próprio sucesso. Precisamos manter o foco, nada de mudanças drásticas, mas aperfeiçoar esse modelo. Falta ser mais incisivo no terço final de campo e ser mais eficiente quando criamos as chances. Falta arrematar mais de média/longa distância e melhorar o retrospecto da bola aérea ofensiva.

E falta a direção do Grêmio entender que a atmosfera ganha jogo. Festa liberada e completa, a arquibancada com os materiais, instrumentos, faixas, barras, o visual que impulsiona a cantoria do resto do estádio, ingressos mais baratos, casa cheia, com tudo isso certamente teríamos um retrospecto melhor em casa neste Brasileirão. Cadê o fator local, Romildo Bolzan?

O presidente que não canso de elogiar, de 600 acertos, que poderia ficar décadas no comando do Grêmio, assinaria agora, o comandante de ótima gestão, mas que é conivente com a biometria que esvaziou a arquibancada. O primeiro setor que sempre esgotava era a arquibancada, e agora, após a biometria, sobram entradas no setor mais barato do estádio. Ter espaço vazio na arquibancada em decisões como esta diante do Palmeiras deveria gerar reflexões na direção.

A Geral do Grêmio foi punida de forma bizarra pelos bumbos em Abu Dhabi. No Gre-Nal do dia 11/03, o comboio de torcedores do Grêmio sofreu emboscada dos colorados e, perdoem a repetição do termo, a Geral foi punida sendo que já estava punida pela questão dos bumbos e, oficialmente como torcida, não tenha ido ao Beira Rio. Monstruosidade jurídica.

Não pode mais nada na Arena. Daqui a pouco vamos ter que prender a respiração por 90 minutos para poder apoiar o Tricolor. E o clube aceita todas essas proibições, aceita a Arena sendo transformada em um teatro, aceita que a perda deste fator local prejudique o Grêmio esportivamente. Lute pela festa, presidente Romildo, que faz a diferença nos resultados de campo.

Qual a sua opinião?

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