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Giovanni Andrade: “As vezes, o melhor realmente vence”

Especialista no futebol espanhol analisa título colchonero, que era favorito para a conquista

Colchoneros foram superiores na final da Liga Europa
Foto: Ángel Gutierrez, Atlético de Madrid

Vou abrir meu coração para vocês. Se tem um tipo de pessoa que me incomoda, é aquele que não entende o favoritismo. Sabem como é? Numa roda de conversa, todos dão um palpite para uma partida e aparece o figura. “Não sei, tem que ver, futebol é jogado, tudo é decidido nas quatro linhas”. Sempre tem um muraldino. Não opina e ainda fica citando exemplo de zebra pra mostra que tá certo. Para ele, não tem esse papo e hoje em dia não tem bobo. Tanta vacina que não é capaz de dar um placar. Por favor, numa boa, mas vai dormir, tchê!

Não é errado fazer projeções, sublinhando que essa é a intenção. Analisar duas equipes e chegar a conclusão de quem é o principal candidato ao triunfo. Se um time é superior, a tendência é que ganhe. Mesmo quando o improvável acontece. O esporte é sempre aquela velha caixinha de surpresas. Nem sempre o melhor vence, há diversos casos que comprovam isso. Porém, não podemos deixar de enxergar quantas vezes que o resultado seguiu a lógica. Favoritismo não é ciência exata, no entanto, é pautado pelos reflexos da realidade.

Vamos pegar como exemplo a final da Europa League. Atlético de Madrid e Olympique de Marseille. Sem tirar o mérito dos franceses, o time do Simeone era claramente mais forte. A campanha de 9 jogos, com 20 gols marcados e 4 sofridos demonstra a superioridade. Antes de entrar em campo, os espanhóis eram os mais cotados a ganhar o caneco. Durante a partida, apresentaram suas credenciais como favoritos e confirmaram a tendência. Sem mistério. Tem vezes que não adianta o adversário se motivar. A derrota vem igual, mesmo quando sobra vontade.

Em uma situação em que há diferença de qualidade entre duas equipes, o desafiante tem que ser impecável. Na condição de franco atirador, o menor não pode dar uma brecha sequer. Ao menor descuido, como de Anguissa, o sonho vai por água abaixo. Quando toma o primeiro gol, o sonho do Olympique começa a diminuir. O time de Simeone é fatal atuando no cenário em que está em vantagem e só precisa se defender. Uma equipe sólida atrás, com bons marcadores, que bate, sabre sofrer e se segura pelo resultado. Nem precisou ter drama. Griezmann deu show e garantiu uma taça tranquila para os armários do Wanda Metropolitano.

Nos últimos dez anos, o Atlético se tornou tricampeão da Europa League. Além disso, o clube tem a busca pelo terceiro título da Supercopa da UEFA. É uma conquista que marca na história um time que vem crescendo no cenário europeu. Principalmente sob o comando do técnico argentino, Diego Simeone. Com o patrão na casamata, os colchoneros impressionam com estilo de jogo que já foi a pedra no sapato de muita equipe gigante. Hoje, goza da posição de não ser mais a zebra, e sim, o favorito.

O futebol é assim mesmo. Uma caixinha de surpresas, que muitas vezes, não traz novidades. Em algumas ocasiões, é fácil apontar o vencedor. Nada é definitivo, porém, com o tempo, é possível compreender as probabilidades de um fato se concretizar. Não machuca apostar em alguém. Se errar, também não tem problema. O que não pode é ter medo de dizer que um time é melhor e dar a própria opinião.

Qual a sua opinião?

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