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Leonardo Radaelli: “Não peguem pesado, o Cícero é o dono do meu sorriso”

Foto: Lucas Uebel, Grêmio

Em meio às críticas do jogo desta terça-feira, eu saio em defesa do atual camisa 10 gremista. Eu sei que vou apanhar. Eu sei que vou ser criticado. Mas o motivo é simples: Cícero salvou minha vida.

Naquela noite do dia 22 de novembro de 2017, eu não estava bem. Sentando em uma cadeira da Arena, eu enfrentava o sonho de ser campeão da América e o pesadelo de perder outra final. Eu, com 25 anos, sempre sonhei em presenciar uma conquista da América. Cheguei perto em 2007. Naquele ocasião, a derrota foi um duro golpe para um garoto de 15 anos, que cresceu assistindo vídeos de 1983 e 1995 e só esperava o momento de vivenciar a glória eterna.

Ao longo de 83 minutos, meu sonho e meu pesadelo lutaram violentamente. Lutaram tanto que fiquei sem força. Eu não tinha reação. Eu não piscava, não respirava, eu não me movia.

Quando o relógio bateu às 23h52mim, a redenção. Meu ex, Edílson, botou a bola para dentro da área e Jael, de cabeça, deu uma assistência açucarada para Cícero. O camisa 27 finalizou de perna esquerda e colocou a bola para dentro da goleira sul da Arena. Naquele momento, o pulso voltou a pulsar, o coração voltou a bater. Cícero salvou minha vida. Jael também.

Enquanto a Arena explodia, Renato, assustado, não comemora o gol. Atônito, ele vê o presente repetir o passado. O herói de 83 agora é o herói de 2017. Só Renato poderia romper a lógica da linha do tempo da história do futebol.

Na comemoração, Cícero saiu fazendo a letra “L” com a mão. Ele sabia. Ele sabia que eu estava morrendo dentro do palácio do Rei de Copas. Ele fez o “L” pensando em Leonardo. Eu, Leonardo Radaelli.

Depois daquele dia, eu comecei a viver meu sonho. Até hoje, eu acho que estou sonhando. E nunca mais vou acordar.

Qual a sua opinião?

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