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Leonardo Radaelli: O pioneirismo gremista em 1989

Imagem: Flickr oficial do Grêmio

Nesta quarta-feira (13), o Grêmio visita o Sport, na Ilha do Retiro, pela décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro. É o último compromisso das equipes antes da parada para a Copa do Mundo. Ao longo da história, o retrospecto é favorável aos gremistas. São 24 vitórias, 13 empates e 11 derrotas. No Recife, palco da partida, a equipe ganhou 4 vezes, em 1994 (2x), 2005 e 2012.

Em meio à história, duas decisões, com dois títulos para o Grêmio.

A primeira foi em 1989. Naquele ano, uma nova competição entrava no calendário do futebol nacional: a Copa do Brasil. Criada pela CBF, com referências nas copas europeias, o torneio tinha formato eliminatório, formado por 32 clubes – os 22 campeões estaduais e os 10 vice-campeões dos Estados com maior média de público por partida. Com 5 fases, todos os confrontos eram disputados na fórmula de ida e volta. O campeão ganharia vaga na Libertadores da América.

No dia 26 de agosto, Grêmio e Sport fizeram o primeiro confronto decisivo da Copa. Jogando a partida de ida na Ilha do Retiro, as duas equipes buscavam o status de pioneirismo em uma competição que veio dar mais charme ao futebol nacional.

Naquela tarde de sábado, o evento foi mais atrativo que as performances dos times. A partida foi nervosa, com poucas oportunidades de gol. Sport tentou assumir as ações dentro de campo, com o maior volume ofensivo. Em meio à desarmonia de Luis Eduardo e Edinho, defensores tricolores, os pernambucanos não conseguiram ser produtivos. O placar de 0 a 0 foi festejado pelo Grêmio, que abraçou o regulamento e esperava decidir a final em sua casa.

A decisão foi para 2 de setembro. Na data, o Olímpico estava cheio em busca da primeira taça da Copa do Brasil. Eram 64 mil torcedores empurrando o Tricolor para mais uma conquista.

No nono minuto da primeira etapa, o cartão de visitas dos donos da casa. Lino arrancou no meio campo e encontrou Nando pela direita. Em um jogada individual, ele passou novamente para Lino, que tentou dar uma meia lua no zagueiro adversário. Ao bloquear o drible, o defensor do Sport rebateu a bola para dentro da área e ela cai no pé de Assis, que finaliza para dentro do gol. O Grêmio dava o primeiro passo para o êxito.

Ainda no primeiro tempo, aos 31 minutos, o susto. Em cobrança de escanteio, o multicampeão Mazzaropi tenta afastar a bola com um soco. Desobedecendo irresponsavelmente a ação do arqueiro, a pelota cretinamente acaba entrando nas redes. 1 a 1.  Em entrevista ao jornal Correio do Povo, o goleiro relatou o episódio: “O estádio inteiro começou a gritar o meu nome e isso não tem preço. Recebi o reconhecimento e isso foi fundamental. A torcida me deu a noção da confiança que eu tinha”.

Contudo, aquela tarde de sábado ainda reserva um momento especial para os gremistas. O início de uma história de amor e hegemonia com a copa nacional. O primeiro grito de campeão veio graças ao pé esquerdo de Cuca, no sétimo minuto da etapa final. Em jogada pela direita de Luis Eduardo, o zagueiro cruza para dentro da área. Lino tenta participar da jogada, mas a bola foge e procura Cuca. Com uma forte finalização, o atacante estufa as redes do Monumental. Gol. O autor sai de braços abertos para comemorar com a torcida que clamava por mais um troféu. Era o gol do título. Depois da conquista, o zagueiro Luis Eduardo, que deu a assistência para o segundo gol,  declarou: “Campeões são muitos, mas o primeiro só o Grêmio”.

A segunda decisão entre as equipe foi na Copa Renner de 1996. Realizada em Cidreira, a competição foi um torneio de verão durante o mês fevereiro daquele ano. Além de Grêmio e Sport, Nacional e Cerro Porteño também participaram.

Na semifinal, jogando no Estádio Municipal de Cidreira, o Grêmio derrotou o Nacional, do Uruguai, por 3 a 2 e se credenciou à final. A partida contou com a estreia de Manuel Tobias, que vinha do futsal para tentar uma carreira no gramado com a camisa tricolor.

Na decisão, contra os pernambucanos, no mesmo estádio, apelidado Sessinzão, em homenagem ao prefeito da cidade, a equipe treinada por Luiz Felipe Scolari empatou no tempo normal por 2 a 2, gols de Carlos Miguel e Sílvio. A conquista veio nos pênaltis. Murilo foi herói ao defender uma das cobranças para dar a vitória por 4 a 2 nas penalidades. Grêmio se sagrou campeão da Copa Renner.

 

Fontes:  Jornal Zero Hora, Correio do Povo e arquivo pessoal de Daison Sant’Anna

Dados históricos: Daison Sant’Anna

 

 

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