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Lucas Collar: “O sucateamento do Celeiro de Ases”

Colunista da Rádio Inferno analisa aproveitamento dos jovens da base em 2019

Foto: Mariana Capra, Internacional

2018 terminou acima das nossas expectativas. Talvez nem o mais otimista dos colorados imaginasse que o ano terminaria com vaga direta na Copa Libertadores da América com os fracassos que aconteceram no primeiro semestre do Gauchão e também na precoce eliminação na Copa do Brasil. Porém, 2019 começou e as expectativas e cobranças em cima do Inter atingiram outro padrão. O clube retornou a figurar entre as grandes competições, precisa de um elenco mais competitivo, mesmo com uma grave crise financeira.

Neste dilema que vive o Inter no começo de 2019, me surge o questionamento principal: como vamos nos reerguer financeiramente se não há aproveitamento da base? O começo do Gauchão, além dos resultados, me trouxe preocupação quanto à utilização do Celeiro de Ases, principal fonte de renda do clube e também local onde pode estar a salvação da lavoura, cedendo peças ao time titular com custo baixo. Foram dez jogadores promovidos no começo do ano ao grupo principal, mas estamos chegando no segundo mês do ano sem perspectiva de vê-los.

Nas quatro rodadas inciais do Gauchão, onde o Inter pode usar a lista da base do estadual, pouco vimos. A principal amostra aconteceu no primeiro jogo do ano, onde Daniel, Bruno José (improvisado, é verdade), Roberto, Sarrafiore, Juan Alano e Pedro Lucas tiveram oportunidade. Curiosamente, o único jogo com vitória no ano até aqui. A promessa no final de ano era de mais minutos ao Celeiro de Ases, rodagem ao grupo e mescla. O que, de fato, não aconteceu. Não vimos a base com os titulares. E alguns dos garotos nem jogaram.

O regulamento esdrúxulo do Gauchão ainda tem um agravante maior. A lista da base, onde estão incluídos: Bruno Fuchs, Bruno José, Netto, Nonato, José Aldo, Pedro Lucas, Richard, Roberto e Heitor, só tem validade até a partida contra o Veranópolis nesta quarta-feira (30), onde apenas o lateral-direito está relacionado. Ou seja, se não forem inscritos na lista principal, é bem possível que não vejamos mais os garotos no Gauchão deste ano. E se eles não tiveram chances no estadual, terão chances em competições de maior expressão como a Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil?

De 2017 pra cá, quando a gestão atual assumiu o comando do clube, são diversas justificativas para o “não-uso” da base. No primeiro ano, estávamos no calvário da Série B e não havia espaço para a pressão em cima de jovens, mesmo que estivessem colocando no armário o título do Brasileirão de Aspirantes. Em 2018, o time encaixou e chegou a brigar pelo título do Brasileirão, o que não privilegiava espaço para a base. Em 2019, um começo ruim de Gauchão, foi o suficiente para garotos sumirem. Situação fica ainda mais dura de aceitar, quando olhamos para os lados e vemos concorrentes lançando jovens, forrando os caixas e agregando qualidade ao seu time com baixo custo.

Os exemplos são inúmeros. No Grêmio, Arthur, Pedro Rocha, Éverton, Jean Pyerre, Matheus Henrique. No Flamengo, Vinícius Júnior, Felipe Vizeu, Lucas Paquetá. No Fluminense, o jovem Pedro e Wendel, recentemente negociando com o futebol português. Porque não podemos voltar a ser um clube formador? O clube que revelou ao mundo jogadores que hoje brilham na Europa como Alisson, Otávio, Fred e Taison? Onde perdemos a receita da melhor base do futebol brasileiro para virarmos uma base que contrata inúmeros jogadores e não forma ninguém desde 2017, quando subimos o então lateral-esquerdo Iago, que hoje é contestado por boa parte da torcida.

Como entusiasta do Celeiro de Ases, só posso lamentar o que estamos vendo com nossas categorias de base. Torcendo por um futuro melhor, o que passa, obrigatoriamente, por uma mudança nessa questão tão importante no Clube do Povo do Rio Grande do Sul.

Qual a sua opinião?

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