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Luciano Davi fala sobre projetos para o clube e defende: “Podemos fazer uma gestão compartilhada”

Candidato à presidência do Inter foi entrevistado no programa Interligados nesta terça-feira (27)

Foto: Everton Pereira

Projetos para o futebol, gestão financeira, inovações, erros do passado e categorias de base. Estes foram alguns dos questionamentos que Luciano Davi, candidato à presidência do Internacional para o biênio 2019/2020, respondeu em entrevista concedida à Rádio Inferno no começo da tarde desta terça-feira (27).

Com as eleições batendo à porta, o concorrente de oposição pela “Chapa 02/O Inter que Queremos” apresentou seus pontos de vista em relação à condução do futebol colorado na atual gestão, teceu críticas e elogios à atual gestão e propôs mudanças na estrutura administrativa do clube. Confira os principais pontos abordados na sabatina:

As bandeiras levantadas pela chapa em uma possível gestão:

“O nosso torcedor, nosso associado, tem que parar com essa nomenclatura de presidente do Internacional. O clube tem um estatuto em que rezam várias cláusulas que falam em Conselho de Gestão e gestão compartilhada. Então, são um presidente e quatro vice que têm o mesmo poder de decisão em relação às coisas do clube. O papel do presidente, neste caso, é institucional. É ele que vai representar o Inter, tanto através do seu torcedor, fazendo um alargamento da democracia, através do seu quadro de funcionários e, principalmente, indo buscar em todas as instituições que existem no Brasil tudo o que possa interessar ao futebol brasileiro e ao clube, levando esse processo de ser pioneiro e carregar a bandeira de ser uma liderança para fazer mais e melhor. Por exemplo, essa semana, vi que os presidentes de nossos clubes estavam indo se reunir para ter uma conversa com o pessoal que organiza a Libertadores da América. Por que já não sentam então para falar sobre uma Libertadores das Américas, que envolva Estados Unidos e Canadá? Tu reúne os melhores clubes de futebol da América do Sul, com o melhor marketing que existe, que está nos Estados Unidos.”

Mudanças no processo de formação da categoria de base:

“Enxergo a base como a menina dos olhos. Fizemos um trabalho durante oito meses, por três vezes pedimos informações ao clube e não recebemos uma vírgula. Então, fomos atrás de sites públicos e de outros meios. Vejo as categorias de base da mesma forma em que via quando fui coordenador dela entre 2003 e 2008, onde o Internacional forma e revela jogadores. O Inter não compra jogadores para a base, só em última instância, como foi o caso do Oscar, do Giuliano e do Damião. Formação é 10 anos de Alexandre Pato, 11 anos de Rafael Sóbis, 9 anos de um Nilmar. E revelação é uma consequência desta formação. Acho que o trabalho que o Inter faz na base é muito ruim. Quero deixar claro que a primeira mudança que vamos fazer, se viermos a ganhar a eleição, será a do diretor-executivo das categorias de base.”

“Sei que vencer é importante. Nós vencemos muito mais campeonatos de base que o Grêmio nos últimos dois anos, mas quem mais revelou? O Grêmio. Olha o caixa. Olha as finanças do Grêmio hoje, que vai colocar quase R$ 300 milhões de reais em caixa com a venda de dois atletas. Já o Inter, simplesmente não consegue colocar ninguém da base. O único jogador que mais apareceu nos últimos dois anos foi o Iago. Vejo um trabalho de política de recrutamento errado no Inter e uma metodologia errada. O Inter contratou 159 jogadores para a categoria de base em dois anos. A que custo e por quê?

Os acertos da atual gestão que devem ser mantidos:

“Double Pass, por exemplo, foi influência do Conselho Deliberativo. A gente vinha estudando isso com o pessoal que queria a implementação. Foi uma bela contratação, uma contratação profissional. Isso é o que chamamos de profissionalismo. Rodrigo Caetano, outra contratação extremamente acertada. O Rodrigo Caetano tem que continuar no Internacional.”

As contratações polêmicas em gestões passadas:

“Não existe unanimidade no futebol. Quando contratamos o Forlán, colocamos 7 mil pessoas no aeroporto. Hoje ele é a pior contratação da história do Internacional. Naquele momento, os nossos dados e indicadores mostravam que ele iria trazer uma relação de custo-benefício muito boa para o clube, inclusive em termos de marketing. Quando não vemos a relação custo-benefício das contratações, nos arrependemos depois. Lembro que o Forlán tinha quase 99% de aprovação. Lembro de uma pesquisa sobre o Rafael Moura, na época, que dava 78% de aprovação. Sabe qual foi o problema do Rafael Moura? Era para ser o Nilmar e não ele. O Nilmar estava contratado, nós tínhamos acertado a recompra dele para o Inter. Acertamos salário e tudo. Se ele tivesse vindo para o Inter sem a interferência de seu empresário, que fez muito mal a ele, ele teria encerrado a carreira aqui e não teria vindo o Rafael Moura.”

A situação financeira do clube para o futuro e as possibilidades para formar elenco:

“A situação financeira do Inter é muito traumática. O clube pediu aproximadamente R$ 30 milhões emprestados ao Delcir Sonda. Esse dinheiro tem que ser devolvido, alguém tem que pagar essa conta. O Internacional fechou 2017 com déficit de R$ 62 milhões, superando os 20% do Profut, correndo o risco de perder o parcelamento do programa. Até setembro deste ano, o Inter performava R$ 29 milhões de déficit. Ou seja, não tem como fazer loucura. Estamos conversando com alguns profissionais para analisar o mercado já há 4 ou 5 meses. Estamos vendo o que temos para angariar no mercado que sejam jogadores bons ou muito bons, com um preço relativamente acessível para o tamanho do momento financeiro do Internacional. Nós merecíamos mais, mas temos que cair na real que o momento financeiro do clube é muito frágil.”

“Quanto à dívida do clube, precisamos antes entender o tamanho dela. Não tivemos acesso ao tamanho real da dívida do Inter. Mas precisamos começar a pensar em novas formas de gerar receita para o futebol. Televisionamento, por exemplo, é uma coisa que vai começar a diminuir. Basta ver que a Globo, no ano que vem, já começa a gerar a receita diluída em porcentagem 40/30/30. Quando era 100%, tu poderia buscar esse dinheiro antecipado. Temos que fazer essa conversa de forma mais ampla, inclusive consultando nosso associado do que ele acha interessante consumir, por exemplo, na questão do streaming. Temos que pensar o que podemos criar em cima disto. ”

A construção do CT de Guaíba:

“Primeiro que não saiu do papel ainda. Teve um projeto onde foi tentado trazer um investidor de fora, mas o Conselho de Gestão acabou não aprovando aquele modelo de negócio. Em 2011, fui visitar 11 CT’s com o Fernandão. Todos eles tinham uma estrutura melhor que a nossa. Eles nos demonstravam que futebol profissional e categorias de base devem estar juntos. Essa é a primeira coisa que defendemos. O melhor momento de revelação de atletas do Internacional foi na década de 70 e na primeira década de 2000, quando os campos suplementares ficavam ao lado do Beira-Rio e os treinadores do profissional passavam a tarde olhando jogos e conversando com as comissões técnicas no intuito de buscar jogadores. Então, o CT para nós é condição fundamental para fazer o Inter voltar a dar certo. Vou ter que pegar um exemplo do outro lado: R$ 140 milhões na venda do Éverton. Se o Inter tivesse um atleta destes hoje, R$ 60 milhões ficavam no caixa e R$ 80 milhões a gente fazia o CT que em um ano ficaria pronto.”

O planejamento das competições para 2019 e montagem do grupo:

“Se formos analisar pela questões financeira, tem dois campeonatos que te dão um dinheiro interessante em um primeiro momento. Primeiro é o Gauchão, que dá R$ 14 milhões, aí depois a Copa do Brasil, que dá R$ 60 milhões de receita. Óbvio que tem que dar toda a atenção para a Libertadores, e que bom que o Inter conseguiu classificar em terceiro para não ter que jogar pré-Libertadores em janeiro. E assim, todo o campeonato que tu entra, entra para vencer. É entrar no vestiário, ver se os jogadores vão entender a cultura de jogo que queremos implementar como metodologia de trabalho e fazer a busca do título em todos os campeonatos. Não dá para ter um vestiário que no começo do ano diz que se ficarmos em 10º no Brasileirão está bom. Isso não é do tamanho do Inter independente da sua dificuldade financeira. Temos que afastar do atleta qualquer possibilidade de acomodação ou ‘zona de conforto’ para que não haja isso.”

“A primeira coisa que vamos fazer para montar o elenco é enxergar o que tem dentro da base. Enxergando isso, até dá para pensar em disputar um Campeonato Gaúcho com eles, que tem um nível de exigência menor. Mas o Inter precisa de um articulador, mais um volante caso o Dourado venha a sair, laterais nos dois lados, zagueiro e atacantes também. Também temos 19 jogadores voltando. Para nós, é importante entender o contrato de cada um deles para ver o que vamos fazer.”

 

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