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Matheus Cabral: “CR7 em Turim e o Homem dos 30 anos”

Foto: reprodução, Instagram

Os ciclos, inevitavelmente, chegam ao fim. O de Cristiano Ronaldo no Real Madrid – o mais vitorioso e exitoso da história do clube -, terminou no começo da tarde do dia dez de julho de 2018. Foram nove anos servindo com perfeição, maestria e condecorado com os maiores títulos coletivos e pessoais que um jogador pode almejar: Bolas e Chuteiras de Ouro, Champions League, Mundial de Clubes e, de sobra, campeonatos nacionais, como La Liga e Copa da Espanha.

Aos 33 anos, o atacante português encontra um novo desafio. Um desafio já vivido no passado, quando transferiu-se, em 2009, do Manchester United para o Real Madrid, com staff de ter sido eleito o melhor jogador do mundo à época. Cristiano Ronaldo tinha apenas 25 anos. Vivia, assim, uma transição balzaquiana, tal qual o escritor francês relatava em seu livro “A Mulher de 30 Anos”, um dos mais célebres trabalhos do autor. Na metade dos 20 anos, Cristiano Ronaldo foi buscar fidelização profissional numa das maiores potências da Europa – e conseguiu. Até o último dia no clube esteve exercendo um primoroso papel de protagonista e referência do time espanhol rumo aos títulos da temporada. A última cena de CR7 com a camiseta merengue? Levantando a quarta taça de Champions League, a quinta da sua carreira, contando com a do clube inglês vencida em 2008.

Na literatura de Honoré de Balzac (com as devidas apropriações, pois refere-se a alcunha ao sexo feminino), o autor destaca a magnificência das pessoas a partir dos 30 anos, fato que corrobora a excelência individual como jogador, garantindo três dos cinco troféus de melhor jogador do mundo a partir desta idade. Feito que representa muito o gene do português, no qual sempre disputou com Messi quem garantiria no final do ano mais um prêmio organizado pela FIFA nos últimos dez anos. E, como todo balzaquiano que designa-se forte, obstinado, com sabedoria e altivez necessária capaz de superar os maiores percalços para garantir à gloria diante de seus adversários, Cristiano Ronaldo é, sim, a personificação retumbante do que um bom balzaquiano é capaz de conquistar. Ao invés do ardor de uma paixão, Cristiano Ronaldo transitou no âmbito da perfeição como atleta e jogador de futebol profissional, que fez referência aos torcedores apaixonados pelo esporte e deferência aos que não acreditavam que ele seria apenas mais um em Madrid – ledo engano dos críticos.

Neste novo ciclo, Cristiano Ronaldo terá apenas de asseverar o que já evidenciou nos outros anos da carreira, agora numa nova empreitada, em um país onde tudo é novo e desafiador. Mas, para um balzaquiano como Cristiano Ronaldo, o estímulo é repentinamente igual à fase meteórica em Portugal, onde despertou o interesse de Sir Alex Ferguson, que trouxe-o para a Inglaterra e o deu a lendária camisa sete do clube de Manchester, bem como em Madrid, onde herdou a mesma camisa pertencente por anos pelo maior ídolo do clube, Raúl González, capitão e maior artilheiro da história dos brancos. Agora em Turim, com seus 33 anos, a aventura há de continuar com a camisa da Juventus.

Para quem busca novos ares, tudo tem uma ponta de incerteza, insegurança e adrenalina. Mas. para um legítimo balzaquiano como Cristiano Ronaldo, “quando temos 20 anos, estamos convencidos de que resolvemos o enigma do mundo. Aos 30, começamos a refletir acerca dele”. E a reflexão de CR7 é mais inspiradora, pois tem o holofote do sucesso, o holofote dos 30 mais três anos de vida que fazem ele ser o melhor que poderia ser, o Homem de 30 Anos que chegou em Turim para fazer novamente história.

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