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A reconstrução e os limites do discurso

Reestruturar o clube é necessário, mas não podem ser somente palavras vazias a cada entrevista

beira-rio
Foto: Ricardo Duarte, Sport Club Internacional

O torcedor colorado não precisa fazer nenhum grande esforço para ter a noção de que atravessamos o momento mais difícil de nossa história. Falhas em diversas áreas, queda, rusgas políticas e um endividamento astronômico dão o tom dos últimos três anos no Beira-Rio. E desde o rebaixamento em 2016, uma palavra é constante no vocabulário dos dirigentes: reconstrução.

Mas até que ponto, enquanto torcedores, devemos acreditar neste discurso de reconstrução e dar o apoio necessário?

Dentro das quatro linhas, vemos um trabalho de oscilações e evoluções que estão acontecendo, apesar de não ser na velocidade em que esperamos. O que, dado o contexto, é aceitável. A Série B, que deveria servir para estabelecer uma base de jogo a ser seguida nas temporadas seguintes, foi jogada fora por causa de erros de avaliação em cima dos nomes que assumiram o comando do time. Agora, com a pressão de uma volta para a primeira divisão, Odair tenta implementar um modelo para servir como alicerce de um projeto de futebol no Inter. E para que isso aconteça, receber sequência é fundamental.

Entretanto, é complicado comprar esse posicionamento de restauração na parte administrativa e na gestão de futebol do clube. Começando, justamente, pelos erros na contratação de treinadores no ano passado. Era sabido que o Inter iria enfrentar times fechados e que precisaríamos de alguém que construísse uma equipe capaz de propor o jogo. Zago e Guto Ferreira passam longe disso.

Fica mais difícil ainda abraçar o mantra da reconstrução se formos levar em conta as últimas montagens de elenco. Após a queda, vimos uma tentativa de reafirmar o poder econômico do clube ao trazer nomes de altas cifras, ao invés de dar chances para jogadores da nossa base e enxugar a folha salarial, investindo esse dinheiro em inteligência e suporte para a comissão técnica. A lateral-esquerda é o maior exemplo. Uendel é um jogador de grande capacidade, útil e com qualidade técnica. Mas levando em conta o valor de seu salário e o momento do Inter, era necessário para uma realidade de Série B? Hoje, temos um jogador caro na reserva, com a titularidade sendo ocupada por um jogador moldado em casa.

Sobre 2017, ainda tentamos buscar explicações sobre Marcelo Cirino. Por que também mandar Brenner, que vinha em um bom começo, para o Botafogo e trazer Carlos para o ataque? Neste ano, Roger veio com um salário consideravelmente alto para brigar por uma vaga na equipe com Leandro Damião, enquanto o outro Brenner, que desandou a fazer gols na Copa São Paulo, mal recebia chances.

Que tipo de reconstrução é essa, que inverte processos de gestão e não tem um planejamento de futebol e administrativo consistente para um ano competitivo? Os problemas nos cofres colorados se explicam muito por conta de decisões e avaliações equivocadas como estas. Já são temporadas consecutivas onde temos elencos mal pensados e com vagas em aberto perto da metade da temporada.

No campo e bola, ainda é possível sustentar o argumento da reconstrução. Nos gabinetes, porém, essa justificativa já está com o prazo de validade expirado.

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