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Giovanni Andrade: “E se Iniesta fosse brasileiro?”

Se nascesse no Brasil, craque da Fúria seria o melhor do mundo

Espanhol foi segundo melhor do mundo em 2010
Foto: Miguel Ruiz, Barcelona

O zagueiro Sérgio Ramos joga muito, mas perdeu ótima oportunidade de ficar calado. Após a vitória do Real Madrid por 2 a 1 contra o Bayern de Munique, o capitão merengue foi polêmico. Questionado sobre o colega de seleção, Andrés Iniesta, o espanhol deu uma declaração infeliz sobre o craque:

“Se Andrés fosse chamado Andrésinho, ele teria duas bolas de ouro. Para o atleta espanhol custa um pouco mais ser reconhecido. Nossa própria imprensa às vezes valoriza mais os que vem de fora do que os de dentro. Talvez todos sejamos culpados por isso. Tivemos grandes jogadores como Andrés, Iker (Casillas), que também poderia ter uma Bola de Ouro. Não foi assim, mas que todos reflitamos um pouco”

A fala faz referência aos nomes em diminutivo usadas por atletas brasileiro. Vale destacar que não é a primeira vez que alguém diz isso. Na época do Barcelona, Eto’o afirmou que “se fosse conhecido como Eto’ozinho seria cem vezes mais reconhecido”.

E se Iniesta fosse brasileiro? É inegável que os esportistas tupiniquim recebem um cartaz imenso no cenário mundial quando se trata de futebol. Imagem criada por puro mérito do país que é pentacampeão e com diversos craques entre os melhores. Dizer isso é chover no molhado. Porém, com uma nacionalidade “mais favorável” e o talento do ídolo do Barça, ele ganharia a Bola de Ouro?

A resposta é óbvia e só Sérgio Ramos não enxerga. O zagueiro ignora o fato do auge do meia coincidir com dois fatos importantes. O primeiro é a hegemonia de Cristiano Ronaldo e Messi na briga pelo prêmio desde 2008. Neste tempo, Andrés chegou perto em 2010, quando foi segundo colocado e em 2012, alcançando o terceiro lugar. Com certeza não foi por falta de merecimento, pois teve ano em que ele foi autor do gol do título mundial da Espanha na Copa e foi símbolo mor da conquista da Fúria. Só que tanto o argentino quanto o português não vem deixando chance para os adversários e somam cinco títulos cada.

Há outro detalhe que é importante observar. Desde Kaká, em 2007, o Brasil não tem um jogador recebendo a Bola de Ouro. E até 2015, com Neymar, o país sul-americano não teve sequer um atleta indicado entre os finalistas. No mesmo período, a Fúria teve Fernando Torres, Iniesta e Xávi entre os candidatos. De 2008 até 2012, foram seis indicações, pelo menos uma em cada ano. Este dado mostra um momento de decadência de nomes brasileiros e um destaque aos espanhóis.

O  fato de Iniesta nunca ter sido o melhor do mundo é uma das injustiças da história do futebol, mas que acontecem. Junto com ele, Ribéry, Xávi e tantos outros não receberam o título por diferentes circunstâncias. Talvez o que tenha prejudicado o meia é estar no mesmo time que Lionel Messi. É difícil ganhar um protagonismo com um extraterrestre do seu lado, por mais que o maestro tenha mostrado bola superior em alguns momentos. É uma pena, tanto que a revista France Football pediu desculpas ao jogador por nunca ter lhe concedido o prêmio.

Com ou sem Bola de Ouro, Iniesta está na história. Como craque, maestro e ídolo do esporte. Desse jeito, sendo espanhol e decisivo para a maior conquista de sua seleção. Nascer brasileiro não ia mudar nada. Talvez apenas um sotaque descolado e umas dancinhas nas comemorações. Nada mais.

Qual a sua opinião?

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