Conecte com a gente

🗞️ Wagner Jung

Wagner Jung: “O Juan é com J, quem sabe ele não é argentino?”

FOTO: SC Internacional - Ricardo Duarte

Esse é o sintoma mais grave de muita coisa que acontece no Internacional: a desvalorização dos meninos que são oriundos da nossa base. O principal fato é a inutilização do setor nos últimos anos, que promoveu uma fraca safra, deixando de ser o Celeiro de Ases para ser o celeiro de carta marcadas. Veja bem: é impossível que nós, como um dos maiores clubes do Brasil, não consigamos gerar jogadores melhores que profissionais como Gabriel Dias e outros.

Não tenho nada contra o Gabriel Dias. Pelo contrário, muito dei chances para que ele pudesse mostrar seu valor. Contudo, não vive um bom ano. Eu quero me expressar rememorando o passado. Jogadores como Pato, Taison, Rafael Sóbis, Nilmar, ou até os mais recentes como Leandro Damião, Oscar, Lucas Lima e Dourado. Hoje, somos reféns de um pensamento macabro, onde o Inter não pode mais revelar jogadores.

Os principais culpados são os dirigentes. Disso, não há dúvida. Mas a má vontade do torcedor é algo que me assusta. A visão simplista, trazendo o gol como o fator determinante do que é ser bom ou mau jogador é quase uma análise de “futebol de botão”. Avanço, a idolatria precoce de atletas que são estrangeiros é quase constrangedora. Vou trazer o exemplo do que aconteceu ontem, contra o Paraná. Juan Alano articulou as principais jogadas, deixou Jonatan Alvez duas vezes em condição de finalizar em gol, sendo uma delas em meio a quatro marcadores. Ainda, foi importante na marcação, fazendo a função que o Patrick geralmente ocupa. Sarrafiore, por sua vez, fez sua estreia. Foi muito bem no pouco tempo em que esteve em campo. Suas jogadas foram verticais, incluindo uma bela “caneta” no marcador. Ambos tiveram, em seu momento, uma partida muito boa. Agora vejam os comentários das redes sociais. Não preciso nem mensurar quem teve mais destaque: o estrangeiro. Porém, o agravante foram as mensagens pejorativas a Juan Alano.

O torcedor tem que colocar a cabeça no lugar e parar de idolatrar instantaneamente jogador que vem de fora, e entender que a forma mais sadia de ter uma equipe profissional é todo ano formar bons jogadores. Não que isso signifique não gostar do estrangeiro, mas ter uma boa fé também com os nossos meninos. Juan Alano está pronto. Nos lances que tem oportunidade, sempre encontra um jogador em condição. Tem o pensamento rápido e inteligente, típico de um camisa 10.

Não torrem a base. E se faltar vontade para tentar acreditar em alguém, passa por cima. Juan é com J, pode ser que seja argentino.

Qual a sua opinião?

Mais em 🗞️ Wagner Jung